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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
Projecto - Rui Costa
PROJECTO
Fernando comprou um livro de poesia com oitocentas páginas
mas só conseguiu ler quinhentas
António sonhou com o Evereste na magnitude
mas só precisava de mudar uma lâmpada
Rita imaginou um poema para Fernando
mas só tinha que aceitar o jantar de quinta
A lâmpada pensou que era um poema
e fundiu-se sem iluminar a sala
Luís aproveitou a escuridão da sala
para dizer a Rita um poema com montanhas
Trezentas páginas que nunca foram lidas
arquitectam com a lâmpada a salvação do mundo
mas só conseguiu ler quinhentas
António sonhou com o Evereste na magnitude
mas só precisava de mudar uma lâmpada
Rita imaginou um poema para Fernando
mas só tinha que aceitar o jantar de quinta
A lâmpada pensou que era um poema
e fundiu-se sem iluminar a sala
Luís aproveitou a escuridão da sala
para dizer a Rita um poema com montanhas
Trezentas páginas que nunca foram lidas
arquitectam com a lâmpada a salvação do mundo
in A Nuvem Prateada das Pessoas Graves, Quasi Edições, Maio de 2005
O tempo... Raduan Nassar
O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor;
embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento;
sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza:
não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo;
omnipresente, o tempo está em tudo;
existe tempo, por exemplo, nessa mesa antiga: existiu primeiro uma terra propícia, existiu depois uma árvore secular feita de anos sossegados, e existiu finalmente uma prancha nodosa e dura trabalhada pelas mãos de um artesão dia após dia;
existe tempo nas cadeiras onde nos sentamos, nos outros móveis da família, nas paredes da nossa casa, na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, nos frutos que colhemos, no pão em cima da mesa, na massa fértil dos nossos corpos, na luz que nos ilumina, nas coisas que nos passam pela cabeça, no pó que dissemina, assim como em tudo que nos rodeia;
rico não é o homem que colecciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas;
rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira;
o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; por isso ninguém em nossa casa a de dar o passo mais largo que a perna:
dar o passo mais largo que a perna é o mesmo que suprimir o tempo necessário à nossa iniciativa; (...)
embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento;
sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza:
não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo;
omnipresente, o tempo está em tudo;
existe tempo, por exemplo, nessa mesa antiga: existiu primeiro uma terra propícia, existiu depois uma árvore secular feita de anos sossegados, e existiu finalmente uma prancha nodosa e dura trabalhada pelas mãos de um artesão dia após dia;
existe tempo nas cadeiras onde nos sentamos, nos outros móveis da família, nas paredes da nossa casa, na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, nos frutos que colhemos, no pão em cima da mesa, na massa fértil dos nossos corpos, na luz que nos ilumina, nas coisas que nos passam pela cabeça, no pó que dissemina, assim como em tudo que nos rodeia;
rico não é o homem que colecciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas;
rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira;
o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; por isso ninguém em nossa casa a de dar o passo mais largo que a perna:
dar o passo mais largo que a perna é o mesmo que suprimir o tempo necessário à nossa iniciativa; (...)
Raduan Nassar
Trecho do seu livro Lavoura arcaica (1975)
Trecho do seu livro Lavoura arcaica (1975)
terça-feira, 26 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
História do gato e da lua - histórias de amor
“Estória do Gato e da Lua” foi a primeira curta portuguesa a ir a Cannes,em 1996, e chegou arrecadar 15 prémios internacionais.
A animação de 1995, dirigida por Pedro Serrazina com narração em inglês de Joaquim de Almeida, “Estória do Gato e da Lua” é uma história de amor que facilmente todos acreditaríamos ser impossível.
“Um poema. Uma estória feita de silêncio e de cumplicidade. Luz e sombra, o apelo da noite, a lua como paixão… Esta é a estória de quem tentou tornar o sonho realidade, a estória do gato e da lua.”
sexta-feira, 15 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
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